domingo, 16 de setembro de 2012

ENTREVISTA COM MARIA ELISA

ENTREVISTA COM MARIA ELISA

1-           Maria Elisa, li o livro de sua autoria: Maria - Uma mulher Determinada, e gostei muito da narrativa por se tratar de um livro de memórias que, paralelamente, se insere na história de Sobradinho, pois os relatos da criação da escola por Dona Maria, sua mãe e personagem central da narrativa, se confundem com os períodos da nossa história como moradores desta cidade. Considerando que recebemos da Universidade Anhanguera, onde curso de Pedagogia, a tarefa de falar sobre a escola, as turmas e os alunos no período de 1950-1970, estabelecendo uma analogia com a época atual, lembrei-me do capítulo 17 do livro, onde se iniciam os relatos sobre a chegada da família a Sobradinho, inicialmente o Preto Rezende, já no capítulo 18 (1961), quando você e dona Maria Rezende assumem o compromisso de alfabetizar adultos e crianças devido ao fato ainda de não existirem escolas em Sobradinho. Considerando o supracitado, eu gostaria que relatasse como foi a experiência, como eram as turmas naquela época e como se portavam as crianças em sala de aula.
No segundo semestre de 1963 a escola começou com 7 alunos na quadra 10. As crianças sentavam juntas em um banco mais baixo e um outro banco, mais alto que o anteriormente citado servia como mesa.
2 - Você tem algum comentário a fazer sobre o fato narrado na página 126, quando dona Maria esqueceu Márcia na sala de aula devido ao cansaço?
Foi à noite, no salão paroquial, e a Márcia devia ter entre 6 e 7 anos.
3 - Você poderia descrever o relato do capítulo 21, que fala da criação e de fatos do que, atualmente, é o colégio Santa Rita de Cássia?
A escola foi criada em 1963, no segundo semestre, e começou com 7 alunos, na quadra 10, funcionando durante 15 anos nesse local, até 1978. O primeiro uniforme era vinho (uma jardineira para o Jardim de Infância); o segundo era xadrez.
As instalações eram precárias. No começo, era só uma sala; depois ficou com três salas, chegando a ter 120 alunos. Só tinha um banheiro.
A fiscalização era feita pela Sunab e a mensalidade custava três cruzeiros. Os bancos altos serviam de mesa e os baixos, de assentos (8 crianças por banco). Os equipamentos ficavam em uma secretaria na garagem e eram uma mesa e um armário de aço, um mimeógrafo a álcool. Cinco anos depois, foram comprados um toca-discos e um retroprojetor de slides mais simples.
As festas juninas eram feitas no pátio que era o resto de espaço que sobrava (até 1978). Foi comprado da Terracap um terreno de 700 metros onde estão as instalações até hoje. Em 1979, começou a primeira etapa do atual prédio, mais especificamente em setembro, e também o Alvimar Hotel. A partir de 1980, houve uma ampliação e inserindo-se o Ensino Fundamental até a 4ª série, com 6 salas de aula), uma secretaria escolar, uma cozinha, uma cantina,  três banheiros masculinos e três femininos. A parte recreativa ganhou mais espaço. Três anos depois foi construída a quadra de esportes, ainda descoberta. Em 1992, foi construído o pavimento superior (de novembro a abril de 1993). Foi alugado, de janeiro a abril, o prédio paroquial, momento em que a E. Luís Márcio foi desativada. Nesse mesmo ano, foi feita a mudança para a sede, iniciando-se a 5ª e 6ª séries e, no seguinte, a 7ª e 8ª séries. Nesse momento, a escola já estava bem estruturada.
Os equipamentos novos eram: mimeógrafo elétrico, retroprojetor, coleções de livros, salas especiais de orientação e coordenação, biblioteca, laboratório e, em seguida, informática. Todas as salas equipadas com mobiliários novos e serviço de som interno.
A compra do lote ao lado ocorreu no ano de 2000, por Edson e Taquinho, que deram 5 mil de sinal. Funcionou até este ano com prédio adaptado. Agora, em 5 de 2012, entrou com projeto novo, sendo construído dois pavimentos sobre o bloco 2, onde funcionará o ensino médio.

4 - Eu gostaria de inserir no trabalho da nossa equipe a fotografia da turma página 145 - Maria Rezende com as crianças no recreio, seria possível?
Sim
5 - Escolhemos também a da página 144 (desfile no dia do soldado), você descreveria de que maneira a fotografia mencionada?
Dia do soldado (25/08), chapéu e espada com jornal, desfile no conjunto B da quadra 8.
6 - Na página 146, há a Márcia e a Renata brincando no parquinho e, na 148, a Carla e a Paula. Qual seria o sentimento, hoje, de dona Maria ao ver tais fotos, considerando que são adultas atualmente as crianças da foto?
Sente-se realizada, pois a base foi dada pela mãe e avó.
7 - O que diferencia a organização e a metodologia da Educação Infantil daquela época para a época atual?
Mergulhar no mundo da renovação e conservar alguns aspectos da educação tradicional, como princípios e valores.
8 - Analisando as fotos da época, catalogadas por você, para a organização do livro, como analisa:
·         O número de meninos e meninas em sala e o tipo de vestimenta?
·         Como descreveria também o posicionamento de cada criança nas fotos (postura, expressão)?

Postura de respeito.
9 - Qual era a proporcionalidade de meninos e meninas? E a disposição das carteiras das crianças na sala de aula, era muito diferente da atual?
A proporcionalidade de meninos e meninas era mais ou menos a mesma. Atual formação de grupos.
10 - No seu ponto de vista como educadora, qual o papel atual da escola e do professor na perspectiva do desenvolvimento de uma prática de transformação da ação pedagógica?
Antigamente os professores eram mais dóceis e obedeciam mais facilmente ao comando da direção, mas, atualmente por se profissionalizarem em nível superior tornou-se mias difícil o professor exercer seu papel como antigamente.
Finalmente eu gostaria de agradecer sua colaboração, em nome de todos os colegas da minha equipe. Fico grata e parabenizo pelo trabalho educacional realizado em nossa cidade.
Ivone Macedo de Avelar

Meu pé de Feijão




























quinta-feira, 19 de abril de 2012



Planejamento (Projeto/Pedagógico)     cronograma: 1 Semestre
Matriz de programação de uma aula – Data:          Série/Ano: 4º ano – Ensino Fundamental
Conteúdo Curricular / Disciplina

Objetivos
Desenvolvimento das atividades que serão realizadas para trabalhar o conteúdo
Materiais necessários nas atividades
Acompanhamento e avaliação dos alunos
O que?
- Leitura e interpretação de textos do autor Monteiro Lobato
Ações pretendidas
Habilidades / Competências
- Recitar poemas com desenvoltura.
- Identificar as partes sequências dos textos lidos: início, meio e fim (introdução, desenvolvimento e conclusão).
- Interpretar os textos lidos e responder perguntas formuladas.
- Explicar com as próprias palavras resumidamente a história lida.

Metodologia/ Estratégias/ Procedimentos
- Ler o conto: O Colocador de Pronomes e comentar oralmente.
- Apresentar aos alunos os livros com os textos de Monteiro Lobato para que sejam lidos.
- Destacar o conto “Negrinha” como o primeiro a ser lido e comentado.
 - Discutir sobre o preconceito, questionar a temática étnica da formação do povo brasileiro (pluralidade cultural).
- Visitar o centro de cultura e convívio dos povos indígenas.
- No dia 22/03/2012, fazer uma excursão em Sobradinho conhecendo recursos hídricos e propor a leitura: A Reforma da Natureza.
- Estabelecer uma analogia entre a importância da água e nossa saúde.
- No dia 08/03/2012, trabalhar a relação homen-mulher na atualidade (sexualidade exacerbada).
Materiais e Humanos
- Livros do referido autor.
- Gramática.
- Dicionário.
- Computador para pesquisa.
- Quadro.
- Giz.
- Caderno.
- Aparelho de Som.
Feedback
- Textos para serem interpretados, os objetivos da colonização portuguesa.
- Trabalho de releitora do conto “Negrinha”.
- Trabalho artístico com paisagens visitadas e observação do meio ambiente.


Projeto:
A Prática Docente Reflexiva e seus Desafios

Apresentação
Monteiro Lobato e os Temas Transversais
(Trabalho Interdisciplinar)

Sabemos que a construção da cidadania nos leva a uma prática educacional alicerçada na compreensão da realidade social e dos compromissos e responsabilidades em relação à vida pessoal e coletiva e nada melhor do que aliar os estudos dos temas transversais ao estudo literário das obras de Monteiro Lobato, utilizando práticas artísticas e de reciclagem par que o aprendizado ocorra de forma lúdica e prazerosa.
Descobrimos na literatura de Lobato busca pela identidade racional e preservação da dignidade humana, igualdade de direitos, participação e direito à educação e corresponsabilidade pela vida social.
A ética é uma constante nas obras de Lobato, sempre lembrando que a dimensão ética da democracia consiste na afirmação daqueles valores que garantem a todos o direito de ter direito.
Em especial nos propomos a observar a ética nas fábulas de La Fontaine e Esopo (traduzidas por M. Lobato) para discutirmos a ética e a moral e o aspecto fundamental da existência humana: a criação de valores tão necessários ao convívio em sociedade.
Discutimos o conceito filosófico de ética como reflexão crítica sobre a moral. Produzimos textos livremente após o estudo refletindo sobre o Dia Internacional da Mulher e o papel da mulher em diferentes épocas e na atualidade e em especial o papel da mulher nas obras de Lobato vale exemplificar o texto “Presidente Negro” que é como um manifesto feminista reflexivo.
Refletimos especialmente a citação do autor no conto Negrinha “existem dois momentos sublimes na vida da mulher, o momento da boneca preparatório e o momento dos filhos definitivo. Depois disse está extinta a mulher”.
Em especial falamos sobre o papel da mídia na sociedade brasileira hoje e os desafios de uma reflexão ética do papel da mulher na sociedade atual.
A pluralidade Cultural foi um desafio até certo ponto, pois, como se trata de uma escola evangélica parecia tabu falar em crenças afro-brasileiras e capoeira, etc, nós procuramos conduzir o tema sem ferir as crenças, mas tratando de forma clara e objetiva, partindo da formação do povo brasileiro e nossa herança do povo português, os índios primeiros habitantes da terra e dos negros que foram feitos escravos e que nos legaram uma diversidade cultural e até mesmo alimentar enorme. Aprendemos técnicas de reciclagem de papel e outros e decoramos os eventos.
Refletimos sobre a importância de Tia Nastácia como personagem do Sítio do Pica-Pau Amarelo e pela forma respeitosa como era tratada pelos netos da Dona Benta e até mesmo pela irreverente Boneca Emília.
Sofremos ao ler o conto “Negrinha” e conhecer o sofrimento daquela menina, refletindo ao mesmo tempo o desrespeito a pessoa humana que acontecia com todos os escravos.
Avaliamos o objetivo dos portugueses ao colonizarem o Brasil, o contexto da época e o que mudou após a independência, também o legado cultural que nos deixaram. Em especial refletimos a respeito da injustiça com os povos indígenas que tiveram sua cultura praticamente dizimada e vivem atualmente como tutelados da FUNAI, a luta pela propriedade da terra e preservação de sua cultura e o que incorporamos ao nosso dia-a-dia da cultura indígena.
Visitamos o Centro de Cultura e Convívio dos Povos Indígenas e os alunos ficaram encantados com este convívio. Aliamos este estudo ao evento de comemoração ao Descobrimento do Brasil, Aniversário de Brasília (também realizamos uma excursão com os alunos aos pontos turísticos de Brasília), Aniversário de Sobradinho e Libertação dos Escravos.
Os alunos confeccionaram trabalhos artísticos, fizeram murais e também produziram textos muito bons que fizeram parte da coletânea da escola. A reflexão principal foi sobre a desigualdade social e discriminação articulando-se no que se convencionou denominar “exclusão social” produzida pela sociedade. Em aritmética da Emília estudamos conteúdos da série e a geometria presente nos monumentos de Brasília.
O meio ambiente foi estudado a partir do texto a “Reforma da Natureza” de Monteiro Lobato, o meio ambiente do Sítio e o tema da campanha da Fraternidade: “Água Fonte de Vida”.
Estudamos os recursos hídricos de Sobradinho, as formas de preservação do meio ambiente no que tange aos recursos minerais, animais, vegetais e sobre tudo o ser humano como ser inteligente e responsável pelo meio ambiente. Os textos produzidos pelos alunos refletiram uma maior conscientização quanto a preservação do meio ambiente.
A saúde foi consequência do estudo sobre o meio ambiente e fizemos uma interdisciplinaridade consciências e os conteúdos de saúde estudados na série. O importante foi que os alunos entenderam a importância de cuidarmos de nossa saúde física, mental e espiritual a partir dos textos de educação religiosa e a obra de Lobato foi somente um suporte, pois, fala de uma vida saudável, em contato com a natureza e uma elevação da consciência ambiental e cultural para que passem a cuidar melhor de si mesmos e do meio ambiente. Exemplificando falamos de Jeca Tatu, personagem criado por Monteiro Lobato para falar do abandono do homem do campo e da falta de cultura e direitos humanos da época, a partir do estudo da obra estabelecemos um paralelo com a época atual falando de uma reforma agrária e sua importância. Os alunos falaram em seus textos da saúde e da valorização do eu, da individualidade, nossas características genéticas e o respeito às diferenças. Procuramos dar ênfase a natureza “cíclica” da natureza, sustentabilidade, manejo e conservação ambiental e sua relação com a nossa saúde.
 A orientação sexual pegou o “gancho” da saúde, pois falamos de reprodução humana e animal e focando o corpo como matriz da sexualidade e o papel social da mulher na época de Monteiro Lobato e no mundo atual. Trabalhamos a ética das relações, debatemos sobre o papel dos meios de comunicação e a descaracterização do casamento, do amor e da relação homen-mulher. Falou-se da banalização do sexo, da desvalorização da mulher e a importância de uma sexualidade responsável como garantia de uma vida feliz, saudável e livre de doenças sexualmente transmissíveis.
O trabalho e consumo enquanto o tema transversal no mundo globalizado, trabalhos no estudo aliado aos estudos de geografia e história e às necessidades atuais dos jovens no mercado de trabalho. Nas histórias de Tia Nastácia a geografia de Dona Benta, localizamos a Grécia das Olimpíadas e a oportunidade de geração de empregos num evento de tal porte. Enfocamos mais uma vez a saúde ligada a praticas esportivas e produzimos textos sobre os assuntos tratados. Nas aulas de ciências/química os alunos aprenderam a confeccionar velas, sabonetes artesanais e outros e refletiu-se sobre a importância do artesanato, não somente como ornamentação da escola em eventos, mas como fonte de renda para muitas famílias.
Para maior enriquecimento vocabular lemos para a turma “O Colocador de Pronomes” de monteiro Lobato para incentivá-los a se esmerarem na correção vocabular e produção de textos redacionais, despertando o cuidado com a nossa língua materna, beleza e clareza linguística nos textos da coletânea da escola.

Em suas obras emergem a compreensão do ser humano, do mundo e da sociedade. De sua obra se compreende o papel do professor, do aluno, da escola e dos elementos que compões o ambiente escolar. Oportunamente analisando as tendências pedagógicas e a prática docente que os professores envolvidos no projeto adotam e os estudantes do curso de pedagogia puderam entender melhor o cotidiano da sala de aula.
Os estudantes tiveram oportunidade de analisar os ambientes educativos e a epistemologia dos professores.
Na pesquisa lemos: Fernando Becker* que desenvolveu a ideia de modelos pedagógicos e modelos epistemológicos para explicar os pressupostos pelos quais os professores atuam.
*O professor Fernando Becker é Doutor em Psicologia escolar e atua profissionalmente na Faculdade de Educação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Lemos também durante a pesquisa a classificação do processo de ensino e de aprendizagem segundo as abordagens pedagógicas Mizukami (1986).
Segundo Mizukami (1986, p. 99) a relação professor-aluno é horizontal e não imposta, onde um educador se coloca no lugar do outro para que o processo educacional seja real, consciente.
[...] O professor procurará criar condições para que, juntamente com os alunos a consciência ingênua seja superada e que estes possam perceber as contradições da sociedade e grupos em que vivem.
Haverá preocupação com cada aluno em si, com o processo e não com produtos de aprendizagem acadêmica padronizados. O diálogo é desenvolvido segundo o estudioso, ao mesmo tempo em que são oportunizados a cooperação a união a organização, a solução em comum dos problemas.
Nós nos aprofundamos na abordagem humanista em que considera a escola lugar onde se oferecem condições que possibilitam a autonomia do aluno, cognitivista que prevê que a escola deve possibilitar que o aluno aprenda para si mesmo (pela pesquisa) e a abordagem sociocultural, segundo a qual a escola é local onde deve ser possível o crescimento mutuo do professor e dos alunos, num processo de conscientização, na auto-avaliação ou avaliação mútua e permanente da prática.
O estudo das tendências pedagógicas foi fascinante na medida que nos favoreceu uma viagem histórica e nos oportunizou ir ao encontro dos diferentes saberes, das diferenças do saber, conhecer e acompanhar as filigranas que envolvem a evolução do pensamento pedagógico, desde a Antiguidade até os dias de hoje.
Essas abordagens contribuíram como matéria-prima para estudarmos a nossa função, ao estudarmos a escola e o aluno, a fim de dispor de alternativas que o subsidiarão na escolha da futura práxis ao acadêmico do curso de pedagogia, distinguindo elementos favoráveis e desfavoráveis em cada uma das tendências frente a contemporaneidade.Os acadêmicos entenderam que a escolha do caminho a seguir, é postulado na proposta pedagógica da instituição, não um ato solitário, mas uma opção feita de forma consciente no coletivo de toda a comunidade escolar.

Qualidades do Professor Progressista
O educador brasileiro Paulo Freire (1996) diz que as qualidades do professor progressista vão sendo construídas na prática pedagógica coerentemente com a sua opção política de natureza crítica.

Humildade
Essa característica exige do professor coragem, confiança em si mesmo, respeito a si e aos outros; não significa acomodação ou covardia. O professor que tem humildade entende que ninguém sabe tudo assim como ninguém ignora tudo.
Não há como conciliar a “adesão ao sonho democrático, a superação de preconceitos com a postura humilde, arrogante, na qual nos sentimos cheios de nós mesmos” (Freire, 2003, p. 56).
Paulo Freire afirma que o bom senso é um dos auxiliares fundamentais, porque adverte quando o professor está perto de ultrapassar a partir dos quais se perde.
A arrogância e a empáfia não têm a ver com a mansidão do humilde. Para o autor, “uma das expressões da humildade é a segurança insegura, a certeza incerta e não a certeza demasiada certa de si mesmo” (Freire, 2003, p. 56).

Amorosidade
Para Freire, a prática docente sem amorosidade, tanto pelos alunos como pelo processo de ensinar, perde o seu significado.

Coragem
Para o autor, a coragem de lutar está ao lado da coragem de amar. O professor não tem que esconder seus temores, mas não pode deixar que eles o imobilizem. A coragem emerge no exercício de controle do medo.

Tolerância
Segundo Freire (2003, p.56), “a tolerância é a virtude que nos ensina a conviver com o diferente”. Sem ela é impossível desenvolver uma prática pedagógica séria e uma experiência democrática autentica torna-se inviável.
A tolerância possibilita aprender com o diferente e requer respeito, disciplina e ética.

Outras Características dos Professores Progressistas
Para Freire (2003), decisão, segurança, tensão entre paciência e impaciência e a alegria de viver são qualidades que estão agrupadas articuladas entre si.
A capacidade de decidir do professor é imprescindível para seu trabalho educativo. Se ele não for capaz de fazer decisões, os alunos podem entender essa deficiência como fraqueza moral ou incompetência profissional. No entanto, ele não pode ser arbitrário, em suas decisões.
Segurança, como qualidade do professor progressista, exige competência científica, clareza política e integridade ética. Para o autor, o professor não terá segurança de seu trabalho pedagógico se não souber fundamentá-lo cientificamente ou se não entender por que e para que o faz.
A tensão entre a paciência e a impaciência constitui-se, segundo Freire, como uma das qualidades fundamentais do professor. A paciência não pode ser separada da impaciência. A primeira, sozinha, faz o professor acomodar-se, renunciar ao sonho democrático, imobilizar-se, faz com que o professor tenha um discurso enfraquecido e conformado. A impaciência isolada, por sua vez, ameaça o êxito da pratica docente com a arrogância do professor. Para Freire (2003, p. 62), “a virtude está, pois, em nenhuma delas sem a outra, mas em viver a permanente tensão entre elas”.
A parcimônia verbal vincula-se à tensão entre a paciência e a impaciência. Quem assume tal tensão só perde o controle sobre sua fala em situações excepcionais, raramente excede os limites de seu discurso, que é enérgico mas, equilibrado.
Freire (2003) afirma que educando com humildade, amorosidade, coragem, tolerância, competência, capacidade de decidir, segurança, eticidade, justiça, tensão entre a paciência e a impaciência, parcimônia verbal, mesmo com falhas e incoerências, mas com disposição para superá-las, o professor cria uma escola feliz e alegre.
Hoje, espera-se do professor o preparo teórico-prático capaz de superar a fragmentação entre os domínios do conhecimento, para que ele alcance uma visão interdisciplinar. Para tanto são necessárias, segundo Libâneo (1998, p. 30-31), exigências como:
·         Conhecer estratégias do ensinar a pensar, ensinar a aprender a prender pode-se aprender a prender de muitas maneiras, inclusive mediante o ensino. Estratégias de aprendizagem são “a estruturação de funções e recursos cognitivos, afetivos ou psicomotores que o indivíduo leva a cabo nos processos de cumprimento de objetivos de aprendizagem” (Libâneo 1998, p. 30-31).
Ensinar a pensar exige dos professores o conhecimento de estratégias de ensino e o desenvolvimento de suas próprias competências do pensar. Segundo Leite (2006)
[...] se o professor não dispõe de habilidades de pensamento, se não sabe “aprender a aprender”, se é incapaz de organizar e regular suas próprias atividades de aprendizagem, será impossível ajudar os alunos a potencializarem suas capacidades cognitivas.
·         Ensinar a pensar criticamente – o professor deve ser capaz de problematizar situações, de pensar criticamente, de aplicar conceitos como forma de apropriação dos objetos de conhecimento a partir de um enfoque totalizante da realidade.
·         Desenvolver a capacidade comunicativa – o professor deve atentar-se a outros meios de comunicação – formas mais eficientes de expor explicar conceitos e de organizar a informação, demonstrar objetos ou demonstrar processos – e dominar a linguagem informal, a postura corporal, o controle da voz, o conhecimento e uso dos meios de comunicação na sala de aula.
·         Reconhecer o impacto das novas tecnologias na sala de aula – a escola deve, segundo Leite (2006),
[...] aproveitar a riqueza de recursos externos para orientar as discussões, preencher as lacunas do que não foi aprendido e ensinar os alunos a estabelecer distâncias críticas com o que é vinculado pelos meios de comunicação.
Além de fazer parte do conjunto das mediações culturais que caracterizam o ensino, os meios de comunicação podem ser usados como recursos didáticos.
·         Atualização científica, técnica e cultural – formação continuada – o exercício do trabalho docente requer um esforço contínuo de atualização cientifica na área de conhecimento dominada pelo professor e em outras áreas relacionadas, bem como a incorporação das inovações tecnológicas.
Para Leite (2006),
[...] o professor precisa juntar a cultura geral, a especialização disciplinar e a busca de conhecimentos conexos com sua matéria, porque formar um cidadão hoje é, também, ajudá-lo a se capacitar para lidar praticamente com noções e problemas surgidos nas mais variadas situações, tanto do trabalho quanto sociais, culturais, éticas. [...] Essa atitude implica em saber discutir soluções para problemas a partir de diferentes enfoques (interdisciplinaridade) contextualizar o objeto de estudo em sua dimensão ética e sociocultural, ter capacidade de trabalhar em equipe.
·         Integrar a dimensão afetiva no exercício docente – a aprendizagem de conceitos, habilidades e valores está envolvida com sentimentos ligados às relações familiares escolares e aos outros ambientes em que os alunos vivem. Para proporcionar uma aprendizagem significativa aos seus alunos, o professor deve conhecer e compreender os interesses, necessidades e motivações característicos de cada um; deve ter capacidade de comunicação com o mundo do outro, sensibilidade para situar a relação docente no contexto físico, social e cultural do aluno.
·         Desenvolver comportamento ético – segundo Libâneo (1998), é saber orientar os alunos em valores e atitudes em relação à vida, ao ambiente, às relações humanas, a si próprios.
O professor não é apenas aquele que transmite o conhecimento, mas, sobretudo, aquele que subsidia o aluno no processo de construção do saber. Para tanto, é imprescindível que ele domine não apenas o conteúdo de seu campo específico, mas também a Metodologia e a Didática eficientes na missão de organizar o acesso dos alunos ao saber. E não apenas o saber específico de determinadas matérias, mas o saber para a vida; o saber ser gente, com ética, dignidade, valorizando a vida, o meio ambiente, a cultura. Mais que transmitir conteúdos das disciplinas programadas para o desenvolvimento intelectual da humanidade, é necessário ensinar os alunos a serem cidadãos, mostrar a eles seus deveres e direitos. O professor deve trabalhar valores para formar pessoas que saibam a importância de respeitar, ouvir, ajudar e amar o próximo. Paulo Freire (1996, p. 106) diz: “Me movo como educador, porque primeiro me movo como gente”.